andré contra andré

Não está nada partido. Quase nada. Talvez uma luxação. Talvez. Não se vê. Não aqui. Bati com a mão fechada numa parede. Ninguém me bateu. Só eu. Tendo a ser violento comigo quando não sei lidar com o que tenho. Esmurro paredes, mordo dedos, dou chapadas no peito. Só isso. Só. Não o deveria fazer, … Ler mais

se vejo, magoa

Se vejo, magoa.Se não, também.É dor que atraiçoa,é dor que vemassim de mansinho(se fosse promessa…),devagarinho,tão depressa!E eu sem saberlidar com o jeitode a ter a batercá dentro do peito.Como se faz?Devo lutar?Fugir? Ir atrás?Ou só não ligar?Mas a dor arranha– ela sabe andar nisto.Tem aquela manha,mas eu não desisto.Ou só digo que nãopara não me … Ler mais

quando morre a imortalidade, ou qualquer coisa assim

Quando o meu avô morreu, o meu pai deixou de ser imortal. A existência do meu avô impedia a inexistência do meu pai. Assim que o meu avô deixou de existir, o meu pai perdeu a protecção, ilusória, bem sei, de que não morreria – não estaria na vez dele, na vez de nenhum filho … Ler mais

marrazes, 87

Foi ontem a Gala de Aniversário do Sport Clube Leiria e Marrazes. Uma vez mais, não sei bem por que razão, voltaram a convidar-me para apresentar a festa. Dar uns bitaites e tal. Claro que não ofendi ninguém – não é a minha cena. Eu só continuo a aceitar fazer isto, obviamente, por aquilo que … Ler mais

o inferno não sou eu

O inferno não sou eu,é o outro que me vê.Mas se o olhar não é meu,é de quem? É o quê?Será sempre de alguémfora de mim?Ou será de ninguéme eu é que penso que sim?Talvez não seja nada.Talvez não seja precisoinventar-me uma morada.O inferno não sou eu,muito menos paraíso.