Quando os amores estão longe, os corações estão longe também. Quando eu estou longe dela, quando ela está longe de mim, os nossos corações estão longe também.
Mas não é o meu coração, comigo, que está longe do coração dela, com ela. Não. O meu coração está longe de mim, do meu corpo, da minha razão, e o coração dela está longe dela, do seu corpo, da sua razão. Estando os nossos corações longe de nós próprios, embora perto de mim e dela (comigo e com ela), torna-se difícil suportar esta coisa que é viver de coração afastado (o meu) e de coração forasteiro (o dela). Porque, nesse momento, fugaz ou eterno, não somos nós que mandamos no nosso coração. Ele está longe, perto dela (com ela). É ela que o comanda. Tal como o dela está perto de mim (comigo) e sou eu que bem decido o que lhe fazer.
O problema é que nem eu nem ela sabemos lidar com corações que não os nossos. Ninguém sabe. E esta incapacidade para lidar com corações alheios provoca trapalhadas, sonhos, ansiedades, ilusões, borboletas, pedras, palavras, filmes, lágrimas, cabeças no ar, loucuras. Ou, noutras palavras que é só uma, amor. O amor não é o meu coração a bater no meu peito, é o meu coração a bater no peito dela.